segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

É curioso, este mundo da corrida!


Durante a corrida da Maratona de Lisboa, ia tendo dúvidas se estava realmente em Portugal!

E porquê?

Bom, os locais por onde ia passando eram-me familiares, a paisagem era conhecida, mas haviam lá sido colocadas pessoas que não pertenciam ao cenário!
E porquê novamente?
Bom, primeiro porque falavam dialectos estranhos, incentivavam os atletas e, muitas vezes até chamavam pelo próprio nome que iam lendo nos dorsais, com resultados de pronúncias bem divertidas (chamaram-me Pablo, Paolo, Paul, mas em momento algum me chamaram no meu próprio idioma!), até "high five" nos davam!!
De facto, neste país(inho) o único desporto respeitável(do) é o futebol! Tudo o resto não existe ou é desvalorizado. Está enraizado no nosso ADN!
E porquê esta lavagem cerebral, ilusão de massas, o que lhe queiram chamar, que nos é impingida há tanto tempo, com futebol, fado e Fátima? Bom, talvez a sabedoria popular tenha já encontrado a resposta: “com papas e bolos se enganam os tolos”.
Vem toda esta prosa afinal pelo seguinte,
Quando olhei com alguma atenção para a classificação da Maratona, tive a percepção de que os portugueses estavam em minoria (alucinante! trágico! Escandaloso!).
Só descansei quando passei o pdf para excel e após aplicar um filtro, constatei que afinal os portugueses estavam em maior quantidade, se bem que foi por uma “unha negra”.
Devemos reflectir acerca disto, de este tipo de eventos motivar centenas (milhares até, uma vez que os “acompanhantes” eram mais dos que os atletas) a irem a outro país, gastar dinheiro, tempo, para participar numa prova que comparativamente com outras congéneres europeias até não terá muita tradição, enquanto nós por cá, os anfitriões, que podíamos participar por apenas 20€, não aderimos na quantidade esmagadora que seria de esperar e que aconteceria em outro país, onde os da casa são sempre a maioria.
Bem, dificilmente o panorama mudará significativamente num futuro próximo e por cá continuaremos a viver com o nosso futebolzinho, o CR7 e as suas namoradas, os apitos dourados, e uma dúzia de estádios para servirem de abrigo às aves e de sustento a um grupo de indivíduos que, parafraseando um homem desse mundo: “vocês sabem de quem é que eu estou a falar”.
Pode ser infelizmente que a crise leve os portugueses a praticar mais atletismo. Há mesmo teorias que associam algumas crises económicas durante o século 20, com aumentos exponenciais na prática da corrida. E até porque é um desporto que não exige, em boa verdade, um investimento elevado.

No limite, até se pode correr descalço, tipo “Barefoot Ted”!

Fica aqui o resumo das nacionalidades dos participantes classificados da Maratona(fonte: classificação oficial).
País Qtd Total 1562
FRANÇA/FRA 160 Tugas 811
ITALIA/ITA 109 Camónes 751
ESPANHA/ESP 103
INGLATERRA/ENG 76
ALEMANHA/GER 65
BELGICA/BEL 38
HOLANDA/NED 30
POLONIA/POL 21
SUECIA/SWE 17
MARROCOS/MAR 16
DINAMARCA/DEN 15
ESTADOS UNIDOS 14
REPUB CHECA 10
SUIÇA/SWZ 10
BRASIL/BRA 8
HUNGRIA/HUN 7
NORUEGA/NOR 7
IRLANDA/IRL 7
CROACIA/CRO 6
PAIS GALES/WAL 5
RUSSIA/RUS 4
GRECIA/GRE 4
AFRICA SUL/RSA 3
ROMENIA/ROM 3
SLOVAQUIQ/SVK 2
ESTONIA/EST 2
MEXICO/MEX 2
FINLANDIA/FIN 1
ARGENTINA/ARG 1
CHINA/CHN 1
URUGUAY/URY 1
JAPAO/JAP 1
Russie (Fédération de) 1
ISLANDIA/ISL 1

Boa semana e bons treinos!

Em jeito de Post Scriptum fica o gráfico da minha corrida.
Tempo: 3h25m06s

27ª Maratona de Lisboa - 2012


Correu-se hoje a Maratona de Lisboa 2012.

O tempo surpreendeu pela positiva, diria mesmo que não poderia ter estado melhor do que aquilo que esteve! É excelente poder correr com sol e com esta temperatura fresca!

Os dois estreantes, eu e o Paulo Amaro, chegámos relativamente cedo ao estádio 1º de Maio-Inatel, cerca das 7h40, devido a receio meu de que houvesse dificuldade de estacionamento, contudo, encontrámos logo um lugarzinho junto ao portão das traseiras do complexo desportivo.

 Assim, ficámos logo descansados e, com tempo suficiente para fazer um aquecimento como mandam as regras, ir à “casinha” as vezes necessárias para despistar o nervoso miudinho, etc..

Bom, chegando à hora, ouviu-se o tiro de partida e lá começou a esperada corrida.

Ao início, gerindo a passada até atingir o ponto de equilíbrio respiratório e, depois começando a fazer a gestão do esforço, de modo a que a “gasolina” chegasse para 42km mais uns metros.

Um objectivo pessoal seria obter um tempo entre as 3h30 e as 3h45, pelo que íamos sempre de olho no “balão” das 3h30.

Todavia e, ainda na Av do Brasil, quando esta começa a descer para a rotunda do aeroporto, pareceu-me que podia alongar o passo, mantendo a cadência e, não comprometendo ao nível de esforço.

Assim deixei o balão das 3h30 para trás e já só o voltei a ver após o retorno de Belém.

A temperatura e atmosfera estavam no ponto ideal para se correr uma maratona. O ambiente na rua era espectacular, principalmente pelo apoio que os estrangeiros davam aos atletas. Provavelmente seriam todos familiares de atletas em competição, uma vez que esta corrida teve uma elevada percentagem de estrangeiros (tive a percepção que seriam sobretudo espanhóis e alemães(?)).

À passagem da meia maratona tinha 1h37m, o que me pareceu bem, tendo no entanto em conta que o desnível desde a partida era significativamente favorável.

No trajeto ribeirinho não se fazia sentir grande vento em qualquer dos sentidos, o que tinha sido também um dos receios iniciais.

Quanto à conjugação de uma meia maratona e de uma prova de estafetas, com a prova principal, acrescenta uma animação extra numa altura da prova em que se começa a tornar um pouco monótona (no caso da meia maratona, uma vez que a prova de estafetas tem o percurso igual ao da maratona).

Bom, assim correndo mais ou menos depressa, chegou-se ao meu “Papão” pessoal desta prova, que, não sendo o famoso “Muro”, era antes algo muito mais real e com nome próprio, i.e., a Avenida Almirante Reis.

O receio agora, não era de ser assaltado, mas sim do seu longo comprimento e o ligeiro mas constante  declive, especialmente a seguir à Alameda!
Paulo Oliveira: 3h 25m 06s

Ao longo desta artéria da cidade, fui perdendo velocidade e, algures já perto do Areeiro, comecei a ter cãibras algo fortes, pelo que ia reduzindo cada vez mais o passo, evitando qualquer variação na linha de trajecto, ou qualquer outro movimento mais brusco.
Paulo Amaro: 3h 21m 16s

Terminei no entanto relativamente bem, embora bastantes dorido dos “gémeos” e vários outros grupos musculares, mas também outra coisa não seria de esperar.

Tempo (líquido): 3h 25m 06s


Como diriam os brasileiros: “VALEU NÉ?!!”


Próximo:  “Trilhos dos Abutres”  26 de Janeiro 2013.


 Boa semana e bons treinos!

Atualização: SportsTracker: http://www.sports-tracker.com/#/workout/poliveira67/4muu4ncom2v0447r

 Atualização 15-12-2012: Classificação oficial

 

domingo, 2 de dezembro de 2012

O último “Longão” antes da maratona

Falta uma semana para a maratona de Lisboa.

Combinei com o Paulo Amaro, que também vai à maratona, fazermos este sábado um treino semi-longo, em ritmo calmo, para oxigenar os músculos e o cérebro!

Ora, isto pode parecer um chavão, mas é a mais pura verdade. Numa prova com esta distância, não será apenas a parte física a ter em conta, mas também, a necessária preparação psicológica para enfrentar aquelas avenidas intermináveis.

O primeiro treino que fiz com uma maratona em vista, foi no feriado de 15 de Agosto, em que decidi tentar a distância de 42km. Assim fui para a Marinha Grande e lá iniciei a corrida. Da Marinha Grande fui à Vieira de Leiria, depois à praia da Vieira, daí tomei a estrada para São Pedro de Muel e, retorno à Marinha Grande.

Ora bem, este percurso é de forma triangular e, com excepção do último troço, é constituído por rectas intermináveis, daquelas em que não se vê o fim, literalmente!

Nesse treino, até comecei bem, fiz a primeira metade a um ritmo razoável, passando a meia-maratona na casa da 1h45m; levava a mochila com bastante água com pó isotónico, bananas, barras de cereais, géis, enfim, não faltava nada.

Então cerca do km 27, de repente, acabou-se o gás todo. Foi como um automóvel quando fica sem gasolina!! Um balão furado!! Um Kaputt total!!

Atribuí as culpas à parte psicológica do exercício, uma vez que corria sozinho, num ermo longe de tudo, numa recta da qual não via o fim e, dei por mim a pensar: será que isto é mesmo necessário? Estava tão bem na praia de “papo para o ar” a ler um livro! Ora bolas, quanto mais velho, menos juízo! etc., etc..

Acabei o treino com 4h01m, 42km, com várias paragens (de cronómetro também), quase me arrastando nos kms finais.

O treino de hoje tinha como objectivo fazer entre 25 e 30 kms ou 3 horas, a um ritmo muito calmo, apenas para habituar o organismo ao tempo e distância e, também psicologicamente, uma vez era numa ciclovia em estrada florestal, com rectas enormes, do género das que tinha feito em agosto (é a parte anterior ao troço P. Vieira-S.Pedro) .

Iniciámos o treino junto ao apeadeiro do Carriço - Linha do Oeste, onde começa a ciclovia que se prolonga até à Nazaré. Como o passo era confortável deu para conversar todo o tempo e assim, passada após passada chegámos à praia do Pedrógão com cerca de 18kms. Portanto já estava visto que a distância total iria ultrapassar o inicialmente previsto; mas sem stress, até porque estava tudo bem e nunca forçávamos o passo.





No regresso tivemos a peripécia do treino. Chegados a um cruzamento cerca do km 32, enganámo-nos e tomámos a estrada errada e só passados uns 3 kms ou mais é que começámos a ter sérias dúvidas acerca do caminho, até porque a projecção da nossa sombra indicava que íamos em sentido contrário ao correto (a não ser que o sol estivesse a fazer o seu passeio diário pelo lado norte, o que é altamente improvável).

Quando realmente nos convencemos de que íamos em sentido errado, voltámos para trás, agora já com o N-drive ligado no telemóvel (em simultâneo com o Sports-Tracker, que continuou a gravar o exercício!!) até chegarmos ao caminho correcto.

Bom, com tudo isto, chegámos aos carros com 41.900m pelo que foi aprovado por unanimidade e aclamação, o prolongamento da corrida por mais uns metros para fazer a distância mítica, e até porque o estrago já estava feito.

No próximo domingo dia 9, a maratona de Lisboa não vai ser “ favas contadas”. O percurso da prova não é muito amigável; só de pensar na Av. 24 de Julho até Belém e regresso, que aliás bem conheço dos tempos em que morei na Calçada da Ajuda e que, até de autocarro(28) era uma grande seca,  bem como o trajecto a partir do Martim Moniz até à meta, que é sempre em declive positivo (aquele bocadinho entre a Alameda e a Praça do Areeiro…), vai com certeza exigir grande um espírito de perseverança(teimosia), não deixando por outro lado, margem para grandes tempos.

Enfim…, dos fracos não reza a história e no dia 9 de Dezembro lá estaremos para a nossa primeira maratona!

Distância: 42.195m
Tempo: 3h50m
P.S. Assim que consiga exportar o exercício do telemovel para o Sports-Tracker, colocarei no post.

Atualização: http://www.sports-tracker.com/#/workout/poliveira67/97kl0heglouncp5k

(O Sports-tracker anda cada vez menos fiável, vou ter de voltar ao RunKeeper ou ao Endomondo, o que é pena, uma vez que em termos de visualização no telemóvel, o sports-tracker é sem dúvida a melhor aplicação)