Correu-se este domingo mais uma Meia Maratona da Nazaré, foi
a sua 39ª edição
Chamam-lhe a “Mãe” das meias maratonas em Portugal. Foi a
primeira meia maratona acessível aos atletas de pelotão.
Diz-se também que teve um papel importante na democratização
das corridas de estrada. Parece-me que é bem verdade!
Fazendo as contas, há 39 anos atrás, o país vivia o período
revolucionário em curso; o povo português tinha-se livrado do manto de
escuridão que durante mais de 40 anos havia tolhido a sociedade portuguesa.
Com a chegada da liberdade havia agora espaço para quase
tudo, inclusive para organizar corridas na rua, com acesso até às senhoras!!!…
Nos dias de hoje pode parecer um pouco estranho, mas
pensando bem, após várias gerações amordaçadas pelo regime, todo aquele
entusiasmo era mais do que justificado!
Numa análise estritamente pessoal, causa-me alguma
estranheza que esta iniciativa tenha surgido num meio relativamente pequeno
como a Nazaré. Não tinha a massa populacional de Lisboa ou do Porto, ou mesmo
uma tradição de iniciativa empreendedora mais característica do norte litoral.
Em termos futebolísticos por exemplo, não me recordo de qualquer clube de
primeira divisão naquela zona! Talvez Leiria e não há muito tempo…
Não conheço bem a história da Meia da Nazaré mas suspeito
mais de uma iniciativa individual ou de um pequeno grupo de entusiastas
aguerridos, que terão dado corpo a esta ideia! Perdoem-me se estiver a cometer
uma injustiça ou se nada de isto corresponder à verdade. É uma opinião pessoal,
só isso.
Pessoalmente “descobri” a Nazaré a partir de 2007/08, quando
fui morar para Leiria. Conhecia já anteriormente esta bonita terra mas, apenas
de passagem.
Calhou também ser a primeira prova de atletismo em que participei,
em 2011.
Nesta primeira participação, tinha objectivos muito
modestos: Chegar ao Fim,
preferencialmente pelo próprio pé J!
Tinha feito a distância apenas uma vez em treino, com o colega Paulo
Amaro, sendo o Samuel a marcar o passo nesse treino (era o único que possuía um
relógio com GPS) e que já tinha umas quantas participações Meia da Nazaré bem
como noutras meias maratonas.
A prova de 2011 correu bem, visto que terminámos pelo próprio pé,
tendo chegado à meta debaixo de uma chuva diluviana, que selou o baptismo nas
corridas!
Este ano não estava com muita certeza de poder participar na
Meia Maratona da Nazaré. Como ia à Maratona do Porto apenas uma semana antes, era
bastante optimista poder recuperar em tão pouco tempo. Era mais do que
previsível trazer um valente empeno da capital do norte.
De facto nunca uma corrida me tinha deixado tantos sinais de
cansaço, ácido láctico e dores musculares. Exceptuo o caso do Red Cross Trail
de 2012 onde contraí uma lesão num joelho, mas que obviamente pertence à
categoria das lesões e não de fadiga.
Bom, chegado ao dia e, visto que estavam reunidas as
condições mínimas para participar, lá rumei para a Nazaré.
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| Os "irmãos Olibeirinha", Sam e Paulo com o Paulo Amaro |
Tinha combinado encontrar-me com o Samuel e com o Paulo
Amaro que vinham de Anadia, para tomarmos o café da praxe.
Na zona da partida o ambiente era de festa. Não se “via”
tanto nervoso miudinho como no Porto há uma semana atrás.
Para dar a partida está a habitual madrinha da prova, a
grande Rosa Mota, desta vez acompanhada pelo mais mediático nazareno da actualidade, o surfista
americano Garret McNamara!
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| Momentos antes da partida |
A partida é dada às 11h00 pelo Garret McNamara.
Começa a 39º Meia Maratona da Nazaré!
Corre-se a bom ritmo.
Tinha-me mentalizado que não iria forçar o ritmo e que
apontaria para um tempo superior a 1h45m.
Tretas! Dada a partida, logo esqueço as promessas feitas a
mim próprio e largo a correr como se tivesse assaltado um banco!
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| Passagem pelo 1º controlo |
O sol está quente e agreste.
Valem-nos as esponjas de água disponibilizadas nos
abastecimentos. Coloco o Buff na cabeça e espremo-lhe duas esponjas em cima. O
Air Conditioning dos pobres J
Os sinais no corpo trazidos da Maratona do Porto continuam
bem presentes; as dores nas pernas acompanharam-me durante toda a semana e
agora sob esforço vão aumentando, obrigando a uma gestão psicológica mais
refinada!
Acabo por baixar de ritmo gradualmente.
A subida da ponte nova é feita com muito esforço e a
ritmo baixíssimo.
Compenso na descida onde alargo a passada e recupero um
pouco do prejuízo.
Após o retorno nota-se algum vento em sentido contrário, mas
nada comparável com o ano passado.
Ao entrar na avenida marginal olho para o relógio e vejo que
ainda é possível baixar da 1h40m; “meto uma mudança abaixo” e ligo o segundo
carburador…
Termino com 1h39m55s! Mesmo à justa! “I love it when a plan comes together” como diria o Hannibal do A-Team.
Está concluída a minha terceira Meia Maratona da Nazaré.
Agora vou descansar um pouco no que respeita a provas.
Regresso aos treinos calmos, sem a pressão de logísticas
complicadas, receios de lesões, etc., apenas treinar à medida do que apetecer.
Próxima etapa: Trilhos dos Abutres, versão XL
Ficar bem e boas
corridas!