terça-feira, 17 de junho de 2014

Meia Maratona da Figueira da Foz - 2014


No passado dia 8 de Junho, correu-se mais uma Meia Maratona da Figueira da Foz!
Como é tradição da equipa PelaEstradaFora, marcou-se presença em peso, com a totalidade da sua vasta equipa de dois atletas.
Marcou também o regresso pessoal à “competição” após seis meses sem participar em provas.
Obviamente não é sacrifício nenhum ir à Figueira correr a Meia Maratona, porque além de ficar perto, esta cidade é muito especial, com aquele tipo de dimensão que não é pequena nem grande, antes pelo contrário (esta paga direitos de autor a um célebre comentador desportivo…)!

Numa observação de carácter absolutamente pessoal, posso afirmar que a Figueira tem uns odores ou aromas muito característicos e que, não acho de todo desagradáveis; uma mistura de maresia com ténues farrapos de carvão e cal hidráulica vindos do Cabo Mondego! É também um facto que, desde miúdo associo esta mistura de cheiros à Figueira da Foz.
Disparates! - Dirão os meus caros amigos!
Talvez tenham razão! Pois assim seja…, deixem-me divagar um bocadinho…enquanto não paga imposto…
Mas vamos ao que interessa.

Pela terceira vez, estive à partida desta meia maratona com o colega Paulo Amaro.
Nas edições de 2012 e 2013, o percurso foi constituído por duas idas à fábrica de Cal do Cabo Mondego, sempre pela marginal oceânica.

Na edição deste ano, 2014, o percurso foi alterado, com o início da corrida em direcção à estação de caminhos-de-ferro, retorno para a marginal, seguimento a Buarcos, uma incursão pela variante do Centro de Saúde, novo retorno após uma subida, novamente na marginal até à zona da antiga fábrica do cimento, uma sessão de labirintos num bairro residencial daquela zona, rumo novamente à marginal, desta feita sim, atingindo o retorno do Cabo Mondego e finalmente, o regresso ao forte de Sta. Catarina onde estava instalada a meta.
Já correu muita tinta acerca desta alteração de percurso, sobretudo no Facebook, onde o pessoal dá largas à imaginação para sugerir percursos “melhores”!

Pessoalmente, considero que o formato anterior de, duas idas ao Cabo Mondego, era muito monótono. Teria no entanto algumas mais-valias logísticas, uma vez que os cortes de trânsito se limitavam àquela (s) avenida (s).
Por outro lado, devido à dimensão acolhedora da cidade, não é fácil acomodar 21 quilómetros, em plano, sem condicionar o trânsito em demasia. Não nos esqueçamos a meia maratona da Figueira acontece sempre num fim-de-semana próximo do 10 de Junho, altura de grande afluência turística e que, cortes de trânsito na cidade, não são nada bem-vindos pela população (não-corredora).

Se for permitido a um antigo munícipe da cidade (de 1998 a 2008, apesar de em metade deste tempo ser apenas ao fim de semana…) opinar acerca de um percurso alternativo, diria que a primeira parte da corrida se poderia prolongar na direcção nascente, fazendo o retorno na zona da Fontela, regressando à Figueira da Foz, percorrendo a marginal em toda a sua extensão até a cabo mondego e, retorno para a meta.
Julgo que a Meia Maratona da Figueira ficaria com boas características para se obterem bons tempos, além do mais, seria um percurso corrido em permanência junto à água, primeiro do Rio Mondego depois, do Oceano Atlântico! Fica a sugestão caso alguém leia isto inadvertidamenteJ

Início da corrida
Quanto ao desenrolar da corrida, foi assim:
·         Início muito rápido (critérios pessoais) entre os 4:03 e os 4:15 min/km;

·         Temperatura agradável e vento fraco, dois factores que podem influenciar, tanto o rendimento como, o prazer da corrida;

·         Uma subida a partir do Km8, inexistente nas edições anteriores;

·         Retorno à marginal, passando pelo centro de Buarcos junto ao Teatro do Grupo Caras Direitas (uma nota histórica, o actor Camilo de Oliveira nasceu num camarote deste teatro, onde nesse dia, os pais, também actores, estavam em digressão);

·         Seguiu-se pela marginal até à antiga fabrico do cimento, zona onde se fez uma incursão labiríntica por bairros residenciais;

·         Por esta altura começava a acusar algum desgaste energético. Pensei mesmo que ia quebrar; tomei um gel e um cubo de marmelada que o meu colega me tinha dado antes da corrida e de facto, psicológico ou não, voltei a ter forças para continuar ao mesmo ritmo

·         Regressa-se novamente à marginal, atingindo agora sim, o ponto de retorno da fábrica da cal;

·         Regresso para a Figueira da Foz, pela marginal em toda a sua extensão, até à meta junto ao forte de Sta. Catarina

 Durante toda a corrida ia atento à velocidade, tentando não me entusiasmar deitando tudo a perder mas, ainda assim, sempre perto do limite. Por esse motivo ia fortemente convicto de que conseguiria igualar o tempo do ano anterior de 1h33m.

No entanto, na última parte do percurso, desde o Cabo Mondego até à Meta, comecei a verificar que seria impossível terminar antes da 1h35m.

O relógio GPS dava-me também mais 500 metros do que a distância assinalada pelos marcos de passagem!

Bolas - pensei eu. - Repete-se outra vez a história de 2012!

A cerca de 1.500 metros do final alcanço o colega de equipa e seguimos juntos até à meta, que cruzamos com 1h 35m 46s, nas 59ª e 60ª posições da geral.
 
A chegada do pelotão do PelaEstradaFora
Concluíram a prova 358 atletas, 50 das quais, senhoras!

Em jeito de conclusão, pode-se dizer que valeu bem a pena vir novamente à Figueira da Foz e que, conto voltar para o ano!
"A Medalha"

Uma palavra à organização, Atletas.Net, que se refira não é propriamente um grupo de amadores nestas coisas, voltaram a cometer mais uma vez um erro de medição do percurso. Já em 2012 tinha acontecido o mesmo e, pelo que percebo dos comentários nas redes sociais, começa a ser algo frequente, este e outros tipos de erros.

Certo é que tiveram de fazer alterações à última hora, todavia com tantos pontos de retorno que, são por natureza “pivots” úteis para acertar distâncias, bastaria terem-se dado ao trabalho de colocar um (ou dois) GPS no pulso, montar-se numa bicicleta equipada com conta-quilómetros e fazer a verificação da distância.

Tenho visto com agrado algumas organizações amadoras, especialmente em provas de Trilhos, que atingem níveis de competência notável, bastando para isso arregaçar as mangas e fazer estas verificações finais no terreno, indo um ou dois elementos da organização, uma ou duas horas antes da prova, percorrer todo o percurso, colocando eventualmente fitas desaparecidas, etc., não ficando confortavelmente instalados frente ao computador a “brincar” no Google Earth como alguns “profissionais”!

Uma última palavra para o colega de trabalho João Saúde que na edição do ano passado fez aqui na Figueira da Foz o 6º lugar da geral com 1h 16m 55s e que está actualmente a recuperar de um acidente grave ocorrido num treino de bicicleta. As melhoras e volta breve!

Por hoje é tudo e não se esqueçam de em 2015 vir à Figueira da Foz correr a Meia Maratona!
Dois campeões :)

domingo, 11 de maio de 2014

Crónicas de Abril


Várias efemérides se assinalam neste mês de Abril. Para o país em geral o dia 25 de Abril é a data mais importante, tendo-se completado agora quarenta anos desde a revolução que derrubou a ditadura e abriu caminho à democracia.
No meu universo pessoal a data de 25 de Abril tem ainda um significado mais importante, acerca do qual escrevi aqui no ano passado.
Outra data importante mas, pela tristeza e vergonha que tem associada é a de 19 de Abril. Neste dia do ano de 1506 iniciou-se um massacre de Judeus e Cristãos-novos em Lisboa, instigado pelos frades Dominicanos, e que ao fim de três dias, tinha feito cerca de duas mil vítimas, entre homens mulheres e crianças. Este capítulo negro da nossa história não difere muito do terror nazi que todos condenamos sem hesitar, mas curiosamente tem sido escondido dos manuais escolares e de quase todos os livros de História de Portugal (com algumas excepções de Damião de Góis e Alexandre Herculano).

No que respeita às corridas foi um mês “mais-ou-menos”. Com 158 quilómetros de treinos, 16 sessões, passadeira e estrada.
Talvez ainda durante o mês de Maio recomece a olhar para os calendários de provas para fazer qualquer coisa “oficial”.

Honestamente, também não tenho sentido muito a ausência das provas. A pressão da logística da participação em provas não me faz grande falta nesta fase da vida!
Assim, os treinos desenrolam-se ao ritmo que calha, bastante agradáveis e descontraídos!

Há um pormenor “técnico” que gostaria de partilhar, sobretudo com os proprietários de Garmins. O meu relógio (Forerunner 305) teve uma crise na medição de pulsação, tendo estado quase um mês sem dar sinal de vida no monitor de ritmo cardíaco. Pode-se dizer que, antes ele do que eu. Todavia, quando se fazem treinos de duas a três horas, a solo, existe alguma propensão ao aborrecimento e ao tédio, até porque, nas zonas onde costumo andar ultimamente abundam rectas de vários quilómetros. Assim voltei a explorar o manual do relógio para ver as suas funcionalidades.
Comecei a usar uma opção muito interessante em que parametrizamos uma espécie de treino de séries. No caso actual serve apenas para indicar quando devo correr mais rápido e quando devo correr mais devagar. Geralmente parametrizo para correr rápido durante 200m ou 300m e rolar 800m ou 700m, conforme os casos.

Outra ferramenta muito interessante do Garmin é o chamado “Virtual Partner”. Neste caso estabelecemos um ritmo objectivo e uma distância, e depois o relógio compete connosco, indicando a todo o momento “quem” vai na frente e, a que distância. É um conceito semelhante aos “Balões” dos tempos nas maratonas.
Por último, The last but not the least, o atleta do PelaEstradaFora, Paulo Amaro, teve uma excelente prestação no Trilho dos Gatos em Montemor-o-Velho, obtendo um 22º lugar da geral. Parabéns! Está no bom caminho. A SAD já equaciona rever-lhe o salário, assim a economia do país o permita J (0x0=?)

Fiquem bem e boas corridas em Maio!

Estrada florestal entre a praia da Tocha e a praia de Mira. Bom local para treinar o desgaste psicológico provocado pelas rectas intermináveis.


 


Cantanhede (concelho da praia da Tocha). Terra do ouro, zona vinícola, praias, monumentos,.., e caçadores.
Como é visível na foto, onde há caçadores à solta, não há bom senso ou qualquer outra regra da civilização. Zona a evitar na época de caça sob risco de levar um tiro.
 

Campos do Rio Liz. Outra zona habitual de treino-passeio


Também aderi à moda dos Selfies (ainda assim gosto mais de Shellfish :))

Leiria - Igreja da Sra da Encarnação. Situa-se num cabeço da cidade, acessível por uma longa escadaria em pedra. Bom local para treinar fortalecimento muscular!

Outra igreja de Leiria. Nesta cidade não há local de onde não se consigam avistar duas ou três igrejas. Se tivessem sido construídas tantas escolas como foram construídas igrejas, Portugal seria agora o país mais avançado do mundo!

Leiria - Vista do castelo
 


Uma pérola do nosso país. Não resisti a parar o treino para tirar uma foto. Flores, morangos e "cereijas".

A foto anterior fez-me recordar uma visita em 2003 a Drumnadrochit, Loch Ness, Inverness, Escócia. Não sei quem copiou quem..eh eh!. 
 

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Março 2014


Balanço de mais um mês de corridas 
Um mês quase normal em quantidade de quilómetros.
Trilhos é que nada! Opção pessoal que vai durar ainda mais uns tempos. Até lá é só passadeira e estrada!

A bicicleta também tem estado de repouso. A última vez que foi vista estava na garagem, perdida no meio de “cenas-que-se-guardam-porque-fazem-muita-falta”, (leia-se “Tralhas”).
O mês de treinos iniciou-se com um treino de 30 quilómetros pelo vale do Liz em Leiria. O ritmo foi razoável, o tempo estava ideal, sem frio nem calor, apenas uns pingos de chuva mas sem incomodar muito.
O problema é que quando o corpo arrefeceu surgiu uma dor no pé direito, na zona exterior no tendão de Aquiles e que, limitou um pouco o andamento durante duas semanas.

De facto, algumas pessoas são mais propensas a lesões do que outras. Conheço malta das corridas que nunca se lesionaram, enquanto outros, como eu próprio, “arranjam” lesões por Dá-cá-aquela-palha. Por vezes sem razão aparente ou causa objectiva!
Destaco também em Março os treinos efectuados em estradão florestal na zona entre Figueira da Foz e Praia de Mira, por onde vagueio aos fins-de-semana.

Esta zona é quase absolutamente plana, todavia estes percursos  têm peculiaridades muito interessantes uma vez que são constituídos por conjuntos de linhas rectas com vários quilómetros.
Assim, o principal desafio é ao nível psicológico. Chega-se a correr durante uma hora e até mais sem vislumbrar o fim da estrada.

É caso para dizer que ando a fazer boa justiça ao título do blog. Sorte que, na altura em que criei este espaço andava a reler um conhecido livro de Jack Kerouac J
Talvez possa não parecer nada de especial para quem nunca tenha corrido por sítios do género mas, mas na verdade surge com facilidade a vontade de desistir, de parar, de fazer uma pausa, etc..

Este treino psicológico é essencial para quem como eu, quer fazer maratonas com um treino base muito pequeno. Na ordem dos 200km/mês.
Assim, aprendemos a lidar com o turbilhão de pensamentos negativistas que surgem (no caso pessoal) aos 33-35km, quando já todas as partes do corpo se negam a continuar com aquele non-sense, e ainda assim, conseguir chegar ao fim da corrida!

Assim vão sendo as coisas por estas bandas!
Ficam umas fotos para colorir a página…

Boas corridas!


Estradão florestal da Praia da Tocha
 
Estradão florestal da Praia da Tocha - Antiga casa da Guarda Florestal
 
 
Estrada florestal da Praia da Tocha
 
Treino de 15 de Março
 
 
Treino de 16 de Março


Treino de 29 de Março.