sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Maratona do Porto 2015


Corri no passado domingo dia 8 de novembro a Maratona do Porto pelo terceiro ano consecutivo .

Foi a 12ª edição desta prova.
Para o currículo pessoal é a quinta maratona.
Das cinco maratonas áté agora foi a, em que obtive a pior marca, ficando no entanto dentro dos limites previstos.
O relógio oficial marcou 3h26m32s (chip: 3h25m43s).

Como em todos os casos em que se repetem provas, há a natural tendência a fazer comparações com as edições anteriores, tanto nos aspetos pessoais, como em aspetos da própria prova e respetiva organização.
Mas é melhor ir por partes uma vez que a edição de 2015 teve alterações substanciais que desagradaram a muitos atletas. Eu próprio não vi com muito agrado algumas das alterações, nomeadamente o novo local da partida, “O Queimódromo”!

Assim, na perspetiva pessoal pareceu-me:
Pontos positivos:

·         Paisagem soberba, na zona da marginal, zona da ribeira, passagem da ponte D. Luís, zona ribeirinha de Gaia (mais pela paisagem do que pelo tipo de piso…), etc.

·         Bom apoio do público;

·         Diversas bandas atuando ao longo do percurso;

·         Existência de claques organizadas muito enérgicas com cartazes de incentivo e que “puxavam” muito pelos atletas;

·         Nome próprio no dorsal em vez do apelido como na edição de 2014. Este pormenor levou a que as frases de incentivo viessem mesmo direcionadas aos atletas, o que conta muito quando as forças começam a faltar, e diria até que é mesmo fundamental quando já não há mesmo reservas de energia nenhumas e ainda faltam uns quilómetros para terminar!

·         Bons abastecimentos, com água, gel e frutas;

·         “Decoração” do túnel da Ribeira com ecrãs passando a cena do filme “Chariots of Fire” em que os atletas correm à beira mar;

·         Proximidade do percurso (menos de 5 km) ao Estádio do Dragão

Pontos negativos (sob perspetiva pessoal apenas…)

·         Novo local de partida, pouco amigável, longe do centro, vastidão árida de alcatrão com uma organização do espaço pouco eficaz. Não gostei. Espero que no próximo ano, na impossibilidade de se voltar à rua Júlio Diniz, estudem melhor a gestão do espaço, de modo a ficar mais intuitivo e funcional para os atletas.

·         O novo traçado inicial da maratona é surreal, tantas são as inversões de marcha, retornos, incursões em “becos sem saída”, rampinhas e gincanas. Inacreditável.

·         Zona de banhos. Há apenas um chuveiro no balneário masculino do parque da cidade. É pouco, todavia é mais do que vi em 2014 na maratona de Lisboa, versão rock’n’roll.

·         Ausência da habitual garrafa de Vinho do Porto, edição especial para este evento.

·         Afastamento do percurso (mais de 1 km) ao Estádio do Dragão

Pontos, nem positivos nem negativos J

·         Tempo algo quente, mas ainda assim, melhor do que chuva;

·         Partes do percurso em paralelos (empedrado), o que poderia se resolvido se estendessem uma alcatifa na estrada, ou se, a maratona do Porto fosse noutra cidade, p.ex., em Londres ou Singapura!

Em termos pessoais, a prova correu relativamente bem, tendo conseguido gerir o esforço desde o início.
Todavia, a partir do quilómetro 31, baixei definitivamente o ritmo para os 5 min/km e até final não tive forças para voltar aos registos conseguidos nos quilómetros anteriores.

Não percebi bem o que se passou, não foi uma quebra brutal, mas simplesmente não conseguia correr mais depressa. Na altura associei o facto ao calor que se fazia sentir.
O colega de equipa Paulo Amaro, terminou com 3h33m26s (chip: 3h32m37s) pagando a fatura de um ritmo muito forte até aos 35 quilómetros.

Balanço geral da participação na Maratona do Porto ainda assim muito positivo.
Aguarda-se a abertura das inscrições para 2016 J

Até para o ano!
Classificação da "equipa"

Paulo Amaro

Paulo Oliveira

Visita à feira da maratona  no sábado






Excelente ideia da organização em colocar ecrãs com imagens motivadoras no túnel da Ribeira.

A grande senhora Aurora Cunha, grande dinamizadora e omnipresente em todos os locais deste evento.

Registos da minha prova

Comparativo das minhas participações na Maratona do Porto. Gráfico Ritmo-Distância


Comparativo das edições 2013, 2014 e 2015, por intervalos de 15 minutos. Em 2013 terminaram 2775 atletas, em 2014 terminaram 4044 e em 2015 terminaram 4402 atletas. Note-se que o aumento de participação fez deslocar a curva de 2015 para uma zona mais lenta, ou seja, a maioria dos participantes demora cerca de meia hora a mais do que a maioria em 2013 e 2014. É apenas um dado estatístico, pessoalmente considero positivo o aumento de participação em detrimento dos tempos.










quarta-feira, 28 de outubro de 2015

AX Trail, Trail Serra da Lousã


As três provas do evento. Foto de: FotosdoZé
Pela segunda vez em 2015 meti os pés a caminho de Miranda do Corvo para correr na Serra da Lousã.
A primeira tinha sido em janeiro para os Trilhos dos Abutres.

Na mesma serra, mas iniciando na cidade da Lousã, houve ainda um treino e a prova LouzanTrail
Agora no AX Trail, Trail Serra da Lousã, voltámos a percorrer parte destes trilhos, prova esta que, na edição de 2014 teve o seu início e términus em Castanheira de Pera.

Iniciando-se a prova em Miranda do Corvo, era certo e sabido que iríamos levar com uma boa dose de trilhos sinuosos, subindo a serra junto a ribeiras e cursos de água.
De facto assim foi!

De início, quando as forças ainda estavam presentes, até que foi divertido. Na parte final entanto custou bastante, tendo sido ultrapassado por “n” atletas, e até por um grupo de idosos de um lar das redondezas, com os seus andarilhos!
Na verdade a parte dos idosos é um exagero, mas perdi bem à vontade umas 20 ou 30 posições desde o último abastecimento por culpa da minha falta de habilidade e destreza em terrenos técnicos.

Partida. Miranda do Corvo, 8h30. Foto da organização
 Resumidamente, a prova iniciou-se por trilhos que me pareceram ser os da parte final dos Abutres 2015; garantidamente passámos junto à casa onde estava o último abastecimento daquela prova, no lugar de Espinho.
Depois iniciou-se a subida à deslumbrante aldeia serrana de Gondramaz, que só por si, já justificaria a viagem!

Paulo Amaro, 27º da geral em 313 classificados
Em Gondramaz situou-se o primeiro abastecimento.
No que respeita aos abastecimentos, há a referir os achei bem melhores do que na edição do ano passado.

Abastecimentos muito bons mesmo, pode-se dizer que foram “cinco estrelas”!!
De Gondramaz desceu-se qualquer coisa e a seguir subiu-se até uma cota de 800 metros, antes de descer para a Lousã.

O percurso continuava a alternar entre trilhos técnicos, “trilhos abútricos” e de vez em quando surgiam uns estradões onde dava para correr, assim houvessem pernas e pulmões para isso.
Novo abastecimento na Lousã.

Desta vez um abastecimento de luxo, no Meliá Hotel J
Após o abastecimento saímos da Lousã e regressámos à serra, tomando o caminho junto à fábrica de papel do Prado (por onde se passou no último Louzã Trail ).

Começa então a subida rumo à zona do castelo da Lousã.
Passamos junto ao excelente restaurante “O Burgo” mas não paramos. O nosso abastecimento fica cinco quilómetros mais além, na aldeia do Talasnal         .
Paulo Oliveira, 142º da geral

Entretanto começa a chover.
Ainda resisto algum tempo a vestir o impermeável, mas passado algum tempo não tenho outro remédio.

Começa então a parte surreal da prova.
A chuva, e sobretudo o vento, atingem intensidades alucinantes!

Nas zonas mais altas da serra as rajadas de vento atiram-nos literalmente para o lado.
Chego a pensar que a prova pode ser cancelada.

Por outro lado, estando toda a gente na serra, o cancelamento da prova poucos efeitos práticos iria ter.
De qualquer maneira lá continuamos. Também não há opção!

Passado algum tempo inicia-se a descida por uma encosta mais abrigada onde não se nota tanto a força do vento.
Por fim chegamos ao último abastecimento, com cerca de 43 quilómetros.

Até este ponto estava a adorar a prova, apesar da dureza do perfil de terreno, da chuva e do vento.
Tinha uma falsa expetativa de que o pior já tinha passado e que a partir de agora” iam ser só mais” 8 ou 9 quilómetros. Puro engano!

Logo após o abastecimento, amarinhamos por uma rampa a pique, seguida de “trilhos abútricos” até fartar.
Todo o cuidado é pouco. O terreno é escorregadio e super perigoso.

O cansaço torna os reflexos mais lentos, piorando a situação.
Obviamente que uma boa parte dos atletas dos trilhos “chamam um figo” a este tipo de terreno, e então, vá de me ultrapassar!

Finalmente na meta, após 8h12m!
Finalmente, ao fim de 8 horas e 12 minutos lá consigo terminar a prova, com uma barrigada de trilhos e feliz por ter chegado ao final numa só peça!
O colega de equipa, Paulo Amaro está la na zona da meta à minha espera para ir almoçar, já de banho tomado e roupa limpa. Enfim, gosta de passar fome! É a vida… J

O Trail Serra da Lousã foi ganho por David Quelhas, com 5h23m, tendo-se classificado 313 atletas.
A distância totalizada no relógio foi de 51,96 Km, com um ganho de elevação de 2.518 m.

A classificação da equipa foi a seguinte:

·         Paulo Amaro, 27º lugar da geral, com 6h40m

·         Paulo Oliveira, 142º lugar da geral, com 8h12m

 Boas corridas!




 

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Resumo de setembro


Aproximam-se duas das provas principais da minha época desportiva., o Trail Serra da Lousã e a Maratona do Porto.

Ainda há a Meia-maratona da Nazaré, a que já não contava ir, visto calhar previsivelmente do dia da prova do Porto. Todavia, a data escolhida pela organização foi para o fim de semana seguinte, sendo assim possível ir às duas.

Desde a corrida dos moinhos de Penacova que os treinos têm sido virados exclusivamente para a estrada. Por variadas razões, faltaram quase sempre condições para treinar alguma coisa de jeito até meados de setembro, pelo que nesta altura há um claro défice de treinos longos e de endurance, para enfrentar a Maratona.

Já no próximo sábado há o Trail da Serra da Lousã, que com os seus 51km será requalificado como treino “tipo longão”!

Pode parecer alguma falta de respeito por uma prova de montanha com 51 km de distância e quase 3.000 m de desnível positivo! Pode parecer, mas não é. Mas de facto o espirito com que encaro os trails é completamente diferente das provas de estrada, e especialmente com a maratona.

Na maratona de estrada, devido ao esforço contínuo, chega-se a um ponto da mais completa exaustão; chega-se a um ponto em que começa tudo a colapsar, e se não há um treino de base a montante, arriscamo-nos mesmo a não conseguir terminar a prova!

Resumidamente, em setembro correu-se 194 km, divididos em 18 atividades. Dois treinos acima dos 20 km e um acima dos 30 km.  Dois ou três bi-diários ao sábado, em que saio de casa pela calada da madrugada para um treino matinal, e depois passo em casa para apanhar o filhote com a sua bicicleta e (tentar) acompanhá-lo mais 10 ou 12 km.

A meados do mês juntei-me à iniciativa “Missão24”, da minha cidade adotiva de Leiria, que se destinava à angariação de fundos para instituições de apoio a crianças em risco social, situação que começa a abundar no nosso país.

Esta iniciativa teve uma duração de 24 horas contínuas em que se podia correr, pedalar ou caminhar, tendo o conhecido atleta João Colaço levado à letra o desafio e assim, correu as 24 horas sem parar!
Tive o privilégio de o acompanhar na sua epopeia durante três horas e meia e 27 km .

As lesões “andam ao largo” e espero que por aí se mantenham longos tempos!

Bons treinos e boas corridas!