O mês de Abril começa a compor-se em termos de quilómetros corridos.
Depois de um Fevereiro com apenas 109 km e Março com 159,
este mês já contabiliza 141, o que não é nada mau!.
Em princípio, não deverei participar em provas até ao Ultra
Louzan Trail em Junho e, embora ainda falte algum tempo, há que treinar, porque, parece-me que não vai ser pera doce.
O Ultra Louzan Trail terá “apenas” 45 km mas com um desnível
positivo de 3.500 m, o que se traduzirá na prova com mais subidas na minha
ainda curta carreira de “Trailista”.
No último Ultra Piódão ficou bem claro que a forma física
anda pelas ruas da amargura, e então, há que treinar mais!
Hoje surgiu oportunidade de fazer um treino mais demorado e
pus em marcha um plano que já andava fisgado há algum tempo.
O plano era juntar percursos que costumo fazer
habitualmente na zona de Leiria, sendo uma parte inspirada nos Trilhos Loucos
da Reixida, outra parte por caminhos que conhecia do Btt e finalmente um excelente
Track descoberto no GPSies que vai da nascente do Liz à Pia do Urso e S.
Mamede, coincidindo em algumas partes com os Trilhos do Pastor.
Assim, de fones nos ouvidos, iniciei às 9h30, para estar de
volta às 16h30, fazendo 6h10 de corrida efectiva.
O tempo pregou uma ou duas partidas, com umas chuvadas “jeitosas”,
algum vento frio, sobretudo nas zonas mais altas onde as eólicas
giravam a toda a velocidade.
Ao passar junto a uma dessas torres eólicas, subitamente,
esta começou a fazer um barulho enorme que me deixou de cabelo todo eriçado! Parecia que aquela geringonça tinha entrado em auto destruição e ia mesmo cair-me
em cima!
Afinal foi falso alarme. Era apenas a parte superior (das
pás) que estava a mudar de direcção. Ufa..
Mais uma vez, a partir dos vinte e poucos quilómetros,
começo a quebrar fisicamente tal como acontecera no Piódão.
A parte do percurso entre o Reguengo do Fetal e a Pia do Urso foi feita à custa de um esforço imenso...
Doíam-me as pernas, as costas e, a dor ciática ia a dar sinais
de vida, enfim, …, quando cheguei à Pia do Urso parei o relógio, fui beber
água e atestar as garrafas.
Optei por levar um cinto com três garrafinhas em vez da
mochila, uma vez que há pontos de água em três locais do percurso.
Quando retomo a marcha, em direcção a S. Mamede já só penso
que tenho de ir a um café, para comer e beber qualquer coisa que não água. Tinha trazido apenas
dois géis caseiros e um cubo de marmelada.
Só pensava numa cerveja bem fresca e num Mil-folhas, de
preferência, daqueles de tamanho A3.
Chego finalmente a S. Mamede, paro novamente o relógio e vou
procurar um café aberto (pois,.. , a maior parte dos cafés da terra estavam
fechados, e parece que não era só por ser Sábado…).
Assim que entrei numa pastelaria, que aparentemente era a
única aberta da terra; dirigi-me logo à montra dos bolos! "- Raios, não há Mil-folhas
… - exclamei eu baixinho."
Tive de me conformar com uma Bola de Berlim de tamanho XL,
muito boa por sinal. A acompanhar, uma bela de uma Super Bock, o melhor retemperador de
corpo e espírito que poderia desejar naquela altura J
Para rematar toma-se um café e poem-se os pés ao caminho porque
ainda faltam quase vinte quilómetros até ao final.
A partir deste “abastecimento” as coisas começaram a
melhorar. O ânimo já era outro, e o perfil do terreno era agora tendencialmente
plano ou descendente. Também já não chovia.
As dores de pernas e costas tinham passado quase por
completo e, estava a entrar numa fase em que sentia que poderia correr para sempre
àquele ritmo.
De facto, cheguei ao lugar de Fontes, onde se situa a nascente
do rio Liz, com uma frescura incomparavelmente superior à que tinha a meio da
jornada.
Tinham ficado para trás 47,93 km e um desnível positivo de
1.543 m.
Boa semana e boas corridas!
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Estradão na Sra do Monte, Leiria. |
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Trilho do Buraco Roto, Reguengo do Fétal. Ponto de passagem da volta de hoje (Foto de arquivo) |
Resumo do "Ultra" |