Foi um fim de semana de treinos virados para a estrada.
O grande objetivo da temporada é mais uma vez a Maratona do
Porto.
Apesar de a Maratona ser só em Novembro, vai sendo tempo
para começar a treinar uma passada mais longa, mais adaptada à estrada.
O objetivo na Maratona é manter o tempo final abaixo das
3h30, talvez pouco ambicioso para atletas a sério mas para alguém como eu que começou
a correr após os 40, e fez a sua primeira maratona aos 45, não é um objetivo
nada mau. Aliás, se há dez anos me ouvissem dizer que um dia iria correr a
maratona só podia estar "Lélé da cuca"!
Assim, no sábado de manhã, saí para a rua com a intenção de fazer cerca
de 21 km. Munido com um cinto de duas garrafinhas, uma barra de proteínas que tinha
sobrado do Ultra LouzanTrail e uns rebuçados de mentol "Nazaré".
Muita proteção para o sol, uma vez que este não está para
brincadeiras - chapéu, protetor solar,
t-shirt e os calcões mais compridos do guarda roupa.
Foi também ocasião para voltar aos treinos de séries, ou
pelo menos, algo parecido com isso.
As minhas "séries" são parametrizadas no Garmin
305, divididas em dois modos, o modo Run e o modo Rest, ou seja, modo
"Correr mais depressa" e modo "Recuperação".
Nesta fase inicial da preparação, programei 200m para o Run
e 800m para o Rest. Mais adiante na fase de preparação irei aumentando o Run e
diminuindo o Rest.
Nada disto é muito técnico mas ajuda em pelo menos dois
aspectos, fisicamente obriga-nos a sair da zona de conforto com a fase de” Run”,
e mecanicamente, permite-nos trabalhar a
amplitude da passada, o bambolear dos ombros e a conjugação de ambos os aspectos no sentido
de aumentar alguns centímetros na passada com alguma economia de esforço.
Nestes treinos de "séries" o objetivo velocidade na fase de "tiro" é que
seja sempre abaixo dos 4 min/km (se algum "pro" lesse isto, ia fartar-se de rir!).
A fase de recuperação não tem objetivos de velocidade,
apenas que, não vale caminhar.
Assim se fizeram 21.9km, 10 dos quais em "séries"
sendo os restantes em ritmo normal na ordem dos 5:00-5:30 min/km.
Já na fase final do treino lugar houve para uma paragem, num pequeno parque onde estão
instalados alguns aparelhos de exercícios.
Descobri que esse parque/praçeta tem o nome de homenagem a Abraão
Zacuto.
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| Leiria, Praça Abraão Zacuto |
Para quem não conhece, Abraão Zacuto foi um estudioso do
século 15 que viveu uns anos em Portugal, refugiado vindo de Espanha, devido à perseguição
da inquisição católica aos Judeus e pelo mesmo motivo teve de abandonar
Portugal em 1496.
Deixou obra científica de muita importância para os
descobrimentos, nomeadamente o Almanaque
Perpetuum que foi nada mais do que, a primeira obra cientifica impressa em
Portugal
Esse livro foi impresso numa tipografia de Leiria, também
pertencente a Judeus que por cá habitavam.
Refira-se ainda que essa fúria contra o povo Judeu fez com
que muitos portugueses daquele povo tivessem de abandonar o país, causando um défice
social que, segundo alguns historiadores, se faz ainda sentir nos dias de hoje.
Infelizmente passados
500 anos, e agora devido à crise e acção de políticos desonestos , voltamos a
assistir à partida dos nossos jovens, sendo estes a nossa elite de melhor formação
académica e garantia de progresso.
Ficaremos todos mais pobres com certeza!
Boas corridas, e que não tenham de ser daqui para fora!