sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Meia Maratona da Nazaré



No passado dia 10 de Novembro decorreu mais uma Meia Maratona da Nazaré, a mais antiga Meia Maratona popular de Portugal.
A tradição, no entanto, já não é o que era e, cada ano que passa, vê-se a prova a definhar sendo ultrapassada em dimensão e qualidade por muitas outras provas com inferiores pergaminhos!
É pena.
Gosto desta meia maratona. Não tem explicação, por ter um traçado pouco amigável, pelo facto de a organização viver de louros passados não inovando, publicitando ou mesmo corrigindo erros crassos que arruínam quaisquer ambições de os atletas ali fazerem bons tempos…
Refiro-me concretamente ao facto de não haver zonas de partida por tempos objetivo.
Mais uma vez este ano a partida foi uma tremenda confusão, com largas dezenas de caminheiros a posicionar-se na frente da partida (o evento compreende a meia maratona, uma corrida de 10 quilómetros e uma caminhada) originando  dificuldade dos atletas da Meia e dos 10K em ultrapassar, com encontrões, cotoveladas, pés pisados e outras situações menos boas que podem estragar a corrida a quem levar a coisa mais a sério.
Por motivos de obras no edifício onde  se efetuava a entrega dos dorsais, também já tinha havido problemas, com grande filas e tempos de espera que não eram normais nesta prova. Ressaltava alguma desorganização, estando a “tenda” entregue aos voluntários que na ânsia de fazer bem e depressa, acabavam por não dar fluência à” freguesia” e onde um pouco de supervisão de um membro sénior resolveria facilmente a questão. Chamado à razão um dos membros da organização que por lá cirandava, um conhecido senhor muito alto, de bigode e cabelo encaracolado, respondeu simplesmente que  já faziam aquilo há mais de quarenta anos e se estávamos descontentes que escrevêssemos no livro de reclamações! 
Pois, o livro de reclamações real é o do gráfico seguinte, onde é evidente a diminuição dos participantes ao longo dos anos!
Participantes na Meia Maratona da Nazaré desde 2011
Pessoalmente, gostava que a Meia Maratona da Nazaré continuasse por muitos e bons anos, cativando mais participantes e de certo modo que voltasse a ser uma referência no atletismo amador nacional.
A "Equipe" presente na Nazaré
A “Equipe” esteve representada ao mais alto nível, tendo a classificação que interessa ficado ordenada do seguinte modo:

Paulo Amaro: 01:32:08
Paulo Oliveira: 01:35:07
Samuel Oliveira: 01:35:39
Rosa Moreira: Caminhada

Boas corridas!

domingo, 15 de dezembro de 2019

Maratona do Porto 2019


A Maratona do Porto continua a ser a minha principal fonte de motivação para continuar a treinar e manter a forma ao longo do ano.
Ao longo do ano fui mantendo um volume de treino q.b., o mínimo suficiente para encarar a distância da maratona com alguma tranquilidade.
Nos finais de Abril participei na Maratona de Aveiro, a sua primeira edição, sem grandes objetivos no que respeita à classificação ou tempo. Ainda assim acabou por correr-me bem, ao nível do que consigo habitualmente no Porto.
O foco, psicológico pelo menos, é no entanto a Maratona do Porto.
Os treinos foram rolando ao longo do ano sem grande rigor “científico”, sendo em grande parte feitos em trilhos, o que confere boa resistência mas pouca velocidade.
Assim, em vésperas de provas de estrada, geralmente com um mês  de antecedência, tento variar um pouca a rotina dos treinos introduzindo uma espécie de “fartlek” para sair da zona de conforto e assim, ganhar alguma velocidade, melhorando também a técnica de corrida. 
Durante o mês de outubro corri também duas meias maratonas, Leiria e Lisboa, o que foi útil para aferir o ritmo para a maratona.
Chega então o dia “D”, ou melhor, o dia “M” de Maratona!
As previsões meteorológicas são incertas, pode mesmo chover durante a prova, o que é bastante desagradável e prejudicial para a obtenção de bons tempos.
Felizmente, acaba por não chover durante a prova, com exceção de alguns pingos soltos sem qualquer importância.
Às 9h00 dá-se a partida, no mesmo local dos anos anteriores junto ao Sealife, subindo depois um pouco da Avenida da Boavista junto ao Parque da Cidade para contornar e descer novamente em direção a Matosinhos.
Como habitualmente faz-se uma primeira incursão em Matosinhos e regressa-se à zona do Parque da Cidade, numa manobra que servirá apenas para somar distância…
Depois sim, ruma-se definitivamente a Matosinhos até ao Porto de Leixoes onde se inverte novamente o sentido em direção ao Porto.
O ritmo vai controlado mas mantenho sempre alguma pressão para não cair na tentação de baixar para zona confortável.
Passo aos 10k com 46 minutos o que está dentro do normal.
Segue-se agora pela marginal rumo ao Porto, numa fase favorável e quando as energias ainda estão num bom nível de reservas.
Em certos pontos do percurso estão grupos musicais que pretendem animar os atletas. Pessoalmente dispensava bem estas animações uma vez que o barulho que fazem interfere com o meu ritmo de corrida. Esta sensação vai crescendo com o evoluir do cansaço, causando mesmo alterações na passada e na respiração sempre que passo em frente a uma destas bandas. Uma dessas bandas era constituída exclusivamente por tambores, por quem passámos duas vezes, cerca dos 18k e dos 34k (+ ou -), em que na primeira passagem não causou grande transtorno mas aquando da segunda passagem perturbou-me seriamente o ritmo de corrida!
Continuando, chega-se à zona da Ribeira, descendo por uma rua empedrada bastante escorregadia, agravado pelo facto de imediatamente antes existir uma zona de abastecimento. Os atletas apanham as garrafas de água, bebem o que têm a beber e depois jogam fora as garrafas originando que a tal rua de empedrado estivesse com o piso molhado e extremamente escorregadio.
Passa-se a zona dos bares da Ribeira chegando à rampinha de acesso à ponte D. Luis.
Ponte D. Luís
Do lado de Gaia começa o suplício dos paralelos e das ruas empedradas.
É impossível manter um ritmo normal. Nunca uma Maratona com piso deste tipo pode ambicionar recordes de tempos.
Cerram-se os dentes e prossegue-se rumo ao mar. Na zona chamada Afurada inverte-se o sentido da marcha e regressa-se à ponte D. Luís pelos mesmos paralelos. 
Nesta incursão por Gaia até à Afurada cruzamos com a maior parte do pelotão, pelos mais rápidos à ida e pelos mais calmos à vinda, dando já para ter uma ideia de como está a correr a prova dos atletas conhecidos.
Atravessamos a ponte D. Luís seguimos em direção a Campanhã para mais um retorno na ponte do Freixo.
Agora sim, começa o verdadeiro desafio!
Mais de dez quilómetros até à meta, passando por rampinhas, zonas de empedrado e retas intermináveis.
A reserva de forças está a cair a pique, a parte psicológica constitui por si só um desafio, estando o organismo a acender luzes encarnadas em todos os quadrantes.
Desliga-se então o relé de proteção do bom senso e o corpo fica em modo automático: “pé-direito-pé-esquerdo-pé-direito-pé-esquerdo-pé-direito-pé-esquerdo,...”!
Nas zonas empedradas escolhem-se as lages lisas das bermas, seguindo por aí toda a gente em fila indiana.
A tortura psicológica de pensar quanto falta para a meta desapareceu, com a decisão de deixar de pensar!
Vou em esforço e em quebra, ainda assim vou mais a ultrapassar do que a ser ultrapassado.
Paulo Oliveira

Finalmente, lá para o quilómetro 40 começa a cheirar a meta. Vou olhando para o relógio e parece-me que vai dar recorde pessoal.
Não sei bem, o cérebro vai em serviços mínimos e a álgebra elementar está mais difícil do que resolver os integrais triplos nos tempos de faculdade …
Começa a escutar-se o ruído da zona da chegada, com os altifalantes em altos berros!
Por fim, a última rampa antes de entrar no Queimódromo onde está a linha da chegada. Cerro os dentes e ao memso tempo tento aparentar um ar de quem está muito bem disposto. Há que ficar bem nas fotos da chegada :)
Corto a linha da meta com o relógio a marcar 3h18, o meu melhor tempo na Maratona!
O meu colega de equipa chega uns minutos depois de mim, facto que vai servir para lhe “moer” o juízo durante uns tempos, ou até ele me dar uma hora ou mais de avanço, num trail qualquer por aí :)
Paulo Amaro

A classificação que interessa ficou assim ordenada(tempos de chip):

1º - Paulo Oliveira : 3:18:37
2º - Paulo Amaro : 3:21:31

E foi assim a Maratona do Porto de 2019, venha a de 2020!


Boas corridas!

domingo, 27 de outubro de 2019

Meia Maratona de Lisboa


Não estava planeado participar em mais provas entre a Meia Maratona de Leiria a 13 de outubro e a Maratona do Porto a 3 de novembro.
O objetivo principal do ano “desportivo” é sempre a Maratona do Porto não sendo aconselhável abusar, uma vez que qualquer lesão pode comprometer a Maratona.
De qualquer modo, a empresa em que trabalho juntamente com os meus companheiros de corridas, o meu irmão Samuel e o Paulo Amaro, resolveu oferecer inscrições a quem pretendesse participar na meia maratona, mini-maratona e caminhada.
Assim, lá fomos os três para Lisboa, no meu caso também para matar saudades, visto que desde julho deixou de ser o meu local de trabalho, foram “apenas” 17 anos e um mês!
O meu pensamento era fazer um treino ritmado, com vista à Maratona do Porto, todavia, tal como em situações anteriores, essa sensata intenção eclipsou-se logo após a partida, tendo corrido como se sonhasse que havia bifanas no final 😊

A classificação que interessa ficou assim ordenada(tempos de chip):

1º - Samuel Oliveira : 1:33:21
2º - Paulo Amaro : 1:33:46
3º - Paulo Oliveira: 1:35:58

Boas corridas!