terça-feira, 15 de agosto de 2017

Corrida do Bodo 2017- Pombal

A Corrida do Bodo realiza-se na cidade de Pombal, é uma prova de 10 km, certificada, que tem já uma boa tradição na zona centro do país.
Decorre integrada nas festas da cidade, o que é bom em termos de público.
Pombal - Localização
Assim, há muita gente a assistir que anda por lá, mais por causa das farturas ou dos concertos, do que para ver uns tolinhos a correr☺
Para quem corre no entanto, é um bocado indiferente qual a motivação da assistência, tudo é preferível à falta dela!
Diz-se que a cidade de Pombal foi fundada por Dom Gualdim Pais, Grão-Mestre da Ordem dos Templários, que mandou construir o seu Castelo por volta de 1174, portanto numa época em que a reconquista ainda não era absolutamente tida como permanente e segura, e serviria para um entreposto militar avançado entre Coimbra e Santarém (na realidade há vestígios arqueológicos de ocupação humana mais antiga que remonta ao domínio romano).
Castelo de Pombal

As festas da cidade estão por sua vez, ligadas a uma tradição medieval que, tem que ver com um milagre qualquer , pragas de gafanhotos, colheitas e rezas, como é habitual neste país…
Castelo de Pombal
Nesta edição de 2017, a Corrida do Bodo teve 539 classificados, com a vitória de Rui Pinto do Benfica, com o tempo de 30:11.
O perfil do percurso não é favorável a recordes, uma vez que consiste em três idas e retornos na principal avenida da cidade, sendo que num dos sentidos sobe ligeiramente (é verdade que no sentido inverso desce de igual modo, mas é certo que o desgaste da subida nunca se recupera completamente da descida…).
A “equipa” do PelaEstradaFora esteve representada pelos Paulos, Amaro e Oliveira que mantiveram as performances habituais ☺


Boas corridas!




Depois da corrida, a festa!

Panorâmica da zona da meta


Castelo de Pombal

Castelo de Pombal


Castelo de Pombal

Castelo de Pombal
Paulo Amaro

Paulo Amaro 00:40:37 (Chip)

Paulo Oliveira, à direita, 00:43:11 (Chip)


terça-feira, 4 de julho de 2017

Ultra Maratona Atlântica Melides – Tróia

Setúbal, Domingo 25 de Junho, 4:40 da madrugada, toca o despertador, dando início à epopeia que nos levaria às areias de Melides e Tróia.
Com as “tralhas” arrumadas de véspera, lava-se a cara com água fria, penteia-se o cabelo com um pouco de gel para assentar e, ruma-se ao cais dos catamarans, que nos levarão à península de Tróia.
Estou nesta aventura com o colega de equipa Paulo Amaro e no catamaran encontramos o colega Armando Cruz que também vai correr a Ultra Maratona Atlântica.
Na verdade, é este colega o “culpado” de estarmos ali àquelas impróprias horas!
Tudo começou numa manhã de Maio em que, como habitualmente, fui tomar um cafezinho ao refeitório da empresa onde trabalhamos. Na conversa de ocasião própria destas pausas, diz-me que estão abertas as inscrições para a Ultra Maratona Atlântica, Melides Tróia, e que até era giro voltar a fazê-la, uma vez que já a tinha feito há 27 anos, tinha gostado, blá blá blá, etc. e tal…
No final do café vai cada um à sua vida e aparentemente seria mais uma conversa de ocasião sem consequências "graves".
Mais tarde, à hora de almoço, só por curiosidade, passo pela página da prova ver o regulamento, espreito o Booking.com a ver a oferta hoteleira em Setúbal naquela data, preços, etc., tudo muito casual…
Mais para o final da tarde telefono ao Paulo Amaro, tipo a comentar que a prova é engraçada, embora por outro lado, tem uma logística complicada, alguma despesa associada...
Tinha a secreta esperança de ouvir uma resposta do tipo  “– Esquece isso, há outras provas por aí, etc. e tal…
Mas não! A resposta foi logo  “– Bora lá, vamos nessa!”.  E assim, ao final do dia já estava a ligar ao Armando a dizer-lhe: “- Já me inscrevi, a culpa é tua, agora portanto, vê lá se vais também!”
Assim, pelas 5:45 da madrugada estão estes “Três homens num bote” a caminho de Tróia, onde apanham um autocarro até à praia de Melides onde teria início a corrida!
Os três mosqueteiros na Praia de Melides
A Ultra Maratona Atlântica, Melides Tróia, tem o seu início portanto na praia de Melides, dirigindo-se para norte, sempre à beira-mar, terminando na Praia do Bico das Lulas em Tróia.
A prova é feita em regime de auto suficiência, com excepção de um litro de água dado a cada atleta ao km 14,5 na Praia do Pinheiro da Cruz e ao km 28,5 na Praia da Comporta. Tudo o resto, cada um leva o que quer, não podendo somente haver assistência externa sob risco de desclassificação.
Momentos antes da partida
A prova é absolutamente plana, obviamente, todavia, correr em areia é bastante distinto de correr em estrada ou em trilhos. O próprio tipo de areia também faz muita diferença, uma vez que se esta for muito mole, que os pés enterram-se e o esforço físico exigido é enorme.
A parte inicial da corrida era a mais temida, devido ao tipo de areia, pouco compacta e perfil inclinado que obrigava a correr numa postura desconfortável.
Fase inicial da corrida
Passada essa fase, dizia o pessoal que já conhecia a prova de edições anteriores, era como correr em Tartan, uma vez que o tipo de areia era mais rijo e a superfície bastante mais plana.
De facto confirmou-se tudo, embora com a “zona inicial” a prolongar-se até cerca dos 14 km, depois, uma zona ligeiramente menos difícil até cerca dos 29 km, e finalmente, o tal Tartan quando já o desgaste era enorme.
Algures na primeira metade da corrida
Ainda assim foi melhor do que ter uma  “zona inicial” até final ☺
Ao longo da corrida era bem visível a panóplia de estratégias que cada um ia optando para tornar a tarefa menos difícil. Uns corriam mais junto à água, tentando tirar partido da maior dureza da areia nessa zona, outros seguiam nas pegadas dos da frente, talvez por nessas pegadas a areia estar já pré-compactada, outros como eu próprio tentavam seguir por areia lisa ainda não pisada, outros ainda, inexplicavelmente corriam pela zona alta da praia, onde a areia é completamente seca e solta.
Confesso que, ao longo das 4h53m que por lá andei, experimentei quase todas as estratégias possíveis e imaginárias, adaptando-me no entanto melhor à opção que atrás referi.

Paulo Amaro
 Mal ou bem, lá cheguei ao final, dentro de um tempo muito razoável, sem ter sofrido quebras ou qualquer outros contratempos, excepto por duas enormes bolhas de sangue em outros tantos dedos do pé direito que, provavelmente, me irão provocar a queda de (mais) uma unha!
Paulo Oliveira
Este tipo de corrida não é muito fértil em peripécias, ao contrário das corridas de trilhos, onde se pode apreciar uma enorme variedade de fauna e paisagem, pode tropeçar-se numa pedra e cair feio, nos trilhos podemo-nos ainda enganar numa encruzilhada e perdermo-nos completamente na montanha (experiência própria), etc., etc..
Armando Cruz
Num percurso junto à praia é praticamente impossível perdermo-nos. Na última ocasião em que tal aconteceu, os portugueses “descobriram” o caminho para a Índia!!!

Boas corridas


Ritmo da prova. Início lento e penoso, final mais fácil. (na maratona em estrada a curva do ritmo é ao contrário...)

terça-feira, 13 de junho de 2017

Meia Maratona da Figueira da Foz - 2017


Rumar à Figueira da Foz no início de Junho tem sido como que uma tradição desde 2012.
A Meia Maratona da Figueira da Foz realiza-se há 11 edições, não seguidas ao que sei, sendo uma das poucas provas desta distância em todo o distrito de Coimbra.
De facto, apenas há um ou dois anos é que a cidade de Coimbra, ela própria também tem uma meia maratona.
Desde 2012 a prova tem conhecido diversas melhorias ao nível da organização e a nível técnico também; recordo por exemplo que demorou algumas edições até acertarem na distância oficial para a prova.


Era sempre motivo de "runners private joke" perguntar que distância a Meia Maratona da Figueira iria ter nesse ano!
Em conjunto com a prova principal efetua-se também uma corrida de 10 km e uma caminhada, envolvendo assim mais alguma “massa humana” como diria o Gabriel Alves (inventei! Não faço puto de ideia se ele utilizava esta expressão ☺).
A prova principal tem pouca participação, entre 300 e 400 atletas…
Causas para a pouca adesão à prova, há várias.
Em primeiro lugar, a prática da corrida nunca teve muita tradição na zona de Coimbra-Figueira da Foz.
Nos distritos a norte e a sul, Aveiro e Leiria, já não é bem assim…
Em segundo lugar, a promoção da prova não é levada muito a sério; acaba por passar despercebida, ainda mais nos tempos atuais em que há muita oferta de provas de estrada e Trail.
As organizações de provas deviam olhar para a Maratona do Porto como exemplo de promoção e marketing. De facto aquela prova mantém o contacto permanente com o universo nacional da corrida entre as edições; pelas redes sociais, e-mails, pequenos eventos, etc., mantendo assim os potenciais candidatos em lume brando o ano inteiro.
Há teorias do marketing e comunicação que defendem que o contacto permanente vai “semeando sub-repticiamente a ideia" na mente profunda das pessoas, acabando por levá-las a consumir algo de que na realidade não precisam (em boa verdade não faço a menor ideia se existem tais teorias, inventei agora ☺).
É realmente um facto que ninguém precisa de correr uma maratona, excepto se quiser andar uma semana com dores de pernas, estômago revirado e outras perturbações do género. Pelo menos, é o que me acontece…
Paulo Amaro - 01:34:49

De qualquer modo esta prova, a mim não passa despercebida pelo facto de tanto gostar da Figueira da Foz.
Há uma parte da minha vida que está indelevelmente associada à Figueira da Foz, com o percurso da corrida a passar junto a locais de que guardo memórias, como o edifício do tribunal onde assinei “papel” do casamento e registei um(o) filho, as lojas onde comprámos as primeiras roupas para o infante, berço, cadeirinhas, etc.!
Ah! E por motivo simples de preguiça ainda sou eleitor na Figueira da Foz…
Paulo Oliveira - 01:37:23 (Tinha dito àquele pessoal:" -Venham atrás de mim que eu sei o caminho :)" )
Bom, quanto à 11ª Meia Maratona da Figueira da Foz propriamente dita, há que referir:
·         Voltou a acertar-se nos 21.097,5 m o que começa a ser um hábito irritante ☺,
·         Teve menos participação relativamente a 2016, 369 classificados contra 447 respectivamente;
·         Teve muito vento, o que é uma imagem de marca desta terra (independentemente da estação do ano!);
·         A conjugação de baixa participação, vento forte e longas avenidas, torna esta prova um desafio mental para chegar ao fim. Situação que é minimizada por exemplo na Meia Maratona de Lisboa, a última em que participei, pelo facto de haver muitos atletas em prova constituindo assim uma motivação extra, o que não acontece quando estamos envolvidos numa “luta solitária contra moinhos de vento”;
·         A organização esteve bem em termos gerais;
·         O traçado atual é de facto o melhor desde que conheço a prova (2012), podendo ser consolidado para o futuro;
·         Continua a haver um claro défice na promoção da prova, o que é de lamentar. Sendo a Figueira da Foz uma cidade turística por natureza, podia apostar mais neste evento, envolvendo quiçá as unidades hoteleiras locais. Era um investimento do tipo “dinheiro em caixa”!

A “Equipa” esteve representada pelos dois Paulos, o Amaro e o Oliveira, que fizeram a Meia Maratona em 01:34:49 e 01:37:23, respectivamente.
L'Equipe

Finalmente, como dizia uma figura da TV da minha infância, “Despeço-me com amizade” ☺…

Boas corridas!


sexta-feira, 12 de maio de 2017

Leiria Run 2017

Créditos: Facebook Leiria Run
A cidade de Leiria está em festa durante o mês de Maio!
Ao longo deste mês decorre uma feira de diversões, tipo Feira Popular, há um programa cultural com muitas actividades onde se inclui o evento de corrida e caminhada “Leiria Run”.
A corrida percorre ao longo de 12 quilómetros os locais de referência da cidade, assim como o faz a caminhada nos seus 6 quilómetros.
Como a cidade não é muito grande, os 12 quilómetros chegam bem para ir a quase todos os locais que interessa conhecer num misto de ruas escadas e algum terreno “bravio”, como por exemplo a subida ao castelo, através de uma picada que até teve direito a escadas de corda!
Na corrida foram classificados 876 atletas, o que para uma prova fora dos grandes centros foi muito bom mesmo!
No total de corrida e caminhada, ouvi por lá falar em cerca de 3.000 participantes! Fantástico!
Às 21h00 inicia-se a corrida com os atletas da frente a fugir como se tivessem visto o diabo!
Créditos: Facebook Leiria Run
No final estavam lá uns desses atletas comparando os tempos nos relógios e falavam em 3:15 a 3:20 min/km para os primeiros quilómetros!  Enfim, gente apressada…
Para quem seguia mais lento os pontos de estrangulamento de tráfego eram uma constante ao longo da prova obrigando à perda de tempo, permitindo por outro lado recuperar a respiração e o ritmo cardíaco.
O primeiro desses estrangulamentos foi na passagem pelas instalações da Sé de Leiria, ao virar do primeiro quilómetro de prova.
Wikipédia
Perdeu-se um bom minuto na fila para passar pela estreita porta de acesso ao interior e quando por fim lá consegui passar dei corda às sapatilhas para me por a milhas o mais rápido possível. Não será o local mais seguro para um protestante com ideias de esquerda e um apelido vagamente cristão-novo ficar a fazer sala ☺
A corrida seguiu pelas ruas e vielas da baixa de Leiria, passando em frente à Igreja da Misericórdia, construída no local onde se encontrava uma antiga sinagoga que servia a população judaica residente no centro histórico da cidade, continuando a corrida subindo e descendo (todas ou quase todas) as escadarias da cidade!

Passamos a correr por locais típicos da cidade animados com música, como por exemplo o Mercado de Santana onde está uma banda filarmónica a tocar.
A música foi também uma constante neste evento, desde a zona da partida, vários locais de passagem e também no final, havia sempre uma banda filarmónica, um rancho típico ou uma banda de metais tipo “Charleston”!
Créditos: Facebook Artur Gomes
Descemos então ao Rio Liz para percorrer cerca de 500 metros com água pelos joelhos.
Créditos: Facebook Leiria Run

Na sua passagem pela cidade o rio tem várias comportas tendo-se controlado o caudal de modo a baixar o nível habitual das águas permitindo assim esta aventura.
Créditos: Facebook Leiria Run
O rio foi aliás um dos motores de desenvolvimento da  cidade, proporcionando por exemplo a motricidade do Moinho de Papel, novo ponto de passagem da prova.
Wikipédia

A história do papel teve episódios importantes em Leiria, dinamizado pela comunidade judaica antes da sua perseguição e expulsão pela Inquisição católica. Recordemos que o primeiro livro científico impresso em Portugal foi aqui mesmo em Leiria, o Almanach Perpetuum de Abraão Zacuto, importante obra de astronomia resumindo o mais avançado conhecimento e saber da altura, e que, permitiu aos portugueses ter sucesso nos descobrimentos.
De nada valeu a tão ilustre gente que, ou foram mortos, ou tiveram de fugir para outros climas “mais favoráveis à saúde”.
A purga de conhecimento e saber feita nessa altura condicionou o desenvolvimento do país a todos os níveis até ao dia de hoje!
Espero que pelo menos tenhamos aprendido a lição!                
Voltando à corrida entramos num 4º quilómetro de puro trail, com a subida ao monte da Sra. da Encarnação por íngremes trilhos.
Atingido o cimo do monte há que mencionar o “abastecimento” à base de morcela de arroz e vinho tinto. Como a opção era água simples, optei por uma rodela de morcela e um copito de vinho!
A etapa seguinte foi rumo à quinta do seminário. Um espaço florestal dentro da cidade que deu à prova mais um agradável aroma da natureza.
Seguidamente rumou-se à zona da câmara municipal atravessando depois o interior de uma escola secundária aberta para a ocasião (recordemos que se tratava de uma noite de sábado!).
Mais volta menos volta vamos coleccionando escadarias da cidade como se estivéssemos num Pac-man devorador de escadas ☺
Por último tínhamos o desafio de conquistar o Castelo de Leiria
Créditos: Facebook Leiria Run
Assim, pela encosta da porta da traição foi estendida uma escada de corda que ajudou a subida dos guerreiros.
Créditos: Facebook Leiria Run
Escusado será dizer que tanto nesta etapa como em muitas outras anteriores houve congestionamento e “engarrafamentos” mas ninguém parecia muito aborrecido com o facto.
Créditos: Filipe Reinoite
Finalmente entrámos no Estádio de Leiria (mamarracho do Euro 2004 que serve apenas para este tipo de eventos…) onde se aproveitou o facto de haver escadas na zona de bancadas e mais uma vez se fizeram mais umas subidinhas antes de chegarmos à meta instalada no relvado.
Em resumo, foi uma prova super divertida com muita participação e uma boa organização.
Aconselha-se vivamente o "Leiria Run" a quem quiser conhecer a cidade de Leiria sob uma perspectiva diferente, juntando a componente turística com uma actividade física divertida!

Boas corridas!

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Trilhos das Quelhas

Confesso que estava um pouco apreensivo em relação a estes Trilhos das Quelhas.

Era a primeira edição, a zona era propícia a “invenções” mais arrojadas, e sobretudo, a organização através da sua página de Facebook bombardeava o slogan: “é que vai doer, ai vai, vai”!
A par disso, incluíam algumas imagens de imponentes penhascos do vale da Ribeira das Quelhas o que me deixava mais ainda “de pé atrás”.
A dureza da subida era no entanto garantida. A prova iniciava-se em Castanheira de Pera na encosta sul da Serra da Lousã, subindo até ao ponto mais alto da serra a 1.205 m chamado Castelo do Trevim, descendo depois para os lados da aldeia do Coentral e da famosa Ribeira das Quelhas.
A base das operações desta prova esteve instalada na Praia das Rocas, a tal que tem ondas artificiais e onde terminaram as corridas das duas distâncias, 27 km e 12 km bem como a caminhada.

A partida das corridas foi dada num local chamado Praia do Poço da Corga,
Praia Fluvial do Poço Corga

 uma praia fluvial muito aprazível um pouco acima da vila de Castanheira de Pera, para onde os atletas foram levados de autocarro.
Praia Fluvial do Poço Corga - Samuel e Paulo (Je)
Às 10h30 iniciou-se a prova dos 27 km, com 81 atletas (foi este número de chegados à meta, não sei se desistiu alguém…) com toda a gente a querer ser estrela dos primeiros 300 metros. Bem, nas fotos da partida há dois fulanos que deviam estar a dormir porque ficaram para trás seguidos apenas pelo “vassoura”, dois atletas da famosa equipa do PelaEstradaFora, que ainda assim recuperaram algumas posições terminando em 37º e 45º da geral.
Como diz o velho ditado “a pressa dá em vagares”, logo aos 500 m de prova o pelotão encarreira todo pelo caminho errado dando origem a uma enorme confusão.
Os mais prejudicados são os atletas da frente que de repente se encontram de novo atrás no pelotão. Têm agora de ultrapassar os mais lentos já em single track ou algo parecido.
Este engano terá sido talvez a única mancha desta prova, uma vez que as fitas indicativas do novo trilho não estavam muito visíveis. De facto, quando há mudanças de direção, as fitas sinalizadoras do novo trilho devem estar em local que os olhos dos corredores as encontrem de forma natural. A regra básica é colocar diversas fitas do lado exterior do caminho para onde se dá a mudança de direção. Neste caso as fitas estavam do lado interior desse entroncamento, motivando que para as ver os corredores teriam de olhar para trás, o que não faz sentido...
Outra solução é tão simples como desenhar no chão uma seta com farinha branca (de neve)!
Ultrapassado este transtorno, que em abono da verdade pouco me aborreceu (a disputa pelos últimos lugares não é tão renhida como pelos primeiros 😊), a corrida lá seguiu serra☺ acima, por trilhos muito giros, passando por locais como só a Serra da Lousã tem.
Passado algum tempo atingimos o Castelo do Trevim a 1.205 m de altitude, onde se fazia sentir um vento forte e frio.
As torres eólicas giravam a toda a velocidade, provando que o génio que se lembrou de as colocar no cimo dos montes não era parvo nenhum ☺.

A partir do castelo do Trevim, onde havia um abastecimento, a prova era tendencialmente a descer.
Por falar em abastecimentos, a organização desta prova esmerou-se e apresentou umas mesas exemplarmente compostas. Já vi melhor, é certo, mas esta prova ficou bem no pelotão da frente no capítulo dos “comes e bebes”.
Cerca do quilómetro 18 chegamos à zona que dá nome à prova, a encosta da Ribeira das Quelhas.
Era aqui que receava que surgissem invenções tipo “extreme” ou “Boot Camp”, coisas que agora estão na moda e servem para o pessoal que anda nos ginásios a trabalhar os bíceps, tatuagens e solário, terem os seus momentos de glória!
A passagem por esta zona exigiu de facto muito cuidado, uma vez que o trilho percorria uma encosta pedregosa muitíssimo íngreme ao longo de uns 600 metros.
 Estavam destacados para os pontos mais perigosos, elementos bombeiros e do Grupo de Intervenção Proteção e Socorro (GIPS)da GNR que davam algum apoio aos atletas.
De qualquer modo pareceu-me na altura que o efeito destes elementos era mais psicológico do que efetivo, uma vez que se um atleta escorregasse acabaria por derrubar também o suposto ajudante e acabariam por cair ambos pela ravina abaixo. Talvez a existência de cordas fixadas às rochas fosse uma solução mais eficaz, em minha opinião obviamente.
Passada esta zona de penhasco, entramos novamente em trilhos junto à ribeira e a certa altura dou o tralho que há algum tempo andava a ameaçar!
A(s) queda(s) deu-se numa passagem de rochas mesmo junto à água que, devido a essa proximidade estavam muitíssimo escorregadias. Quando me aproximava dessa passagem um veraneante que ali se encontrava com a família avisou-me logo.

- Cuidado, porque essas rochas estão muito escorregadias!

-Obrigado - respondi eu - Obrigaaaaaaa…(catrapuz)…dooo....

A lage inclinada onde tinha posto os pés tinha aderência zero e caí de costas instantaneamente, sem todavia me magoar.
Ainda no chão gracejo para o fulano que me tinha avisado.

- O meu caro amigo bem que me avisou! – disse enquanto me erguia.

Meto o pé, e de repente estou novamente no chão.
Desta vez caio meio de lado, novamente numa queda ultra rápida e desamparada que não dá tempo de qualquer reação ou de movimento defensivo!
Bem, levanto-me novamente, agora com muito cuidado e saio daquela lage enorme e escorregadia, meio curvado com as mão sempre próximas do chão, prontas para qualquer eventualidade.
Faltavam ainda cerca de 8 quilómetros que se fizeram sem grande história não sendo ultrapassado por ninguém e até passando dois ou três atletas que iam a caminhar com um ou outro problema. Pergunto se precisam de alguma coisa, mas está tudo bem, apenas algumas questões musculares ou coisa parecida (sei bem o que isso é…), pensei para com os meus botões o mesmo que penso quando vou naquelas situações: “treina que isso passa”!
Termino finalmente na Praia das Rocas com 4h18m de prova, cheio de apetite para o almoço incluído nos 15,00 € da inscrição!
Os outros dois PelaEstradaFora já tinham chegado, o Paulo Amaro com 3h43m em 20º lugar da geral, 2º de escalão,
Paulo Amaro - Provas de Atletismo - Fotografias

 e o Samuel com 4h08m e 37º da geral, 4º de escalão

Samuel - Provas de Atletismo - Fotografias
Resumindo, esta prova sendo uma primeira edição teve um nível excelente e não fosse aquele problema inicial onde todo o pelotão se perdeu daria com certeza nota máxima à organização.
O percurso foi muito bem escolhido, sendo equilibrado em termos de dureza, técnica e de corrida.
O lado sul da Serra da Lousã embora não tão espetacular como as encostas do lado de Miranda do Corvo ou da Lousã, permite esse equilíbrio que no lado norte não é tão fácil por ter uma orografia mais agreste.
A t-shirt técnica oferecida tem um layout muito bem conseguido e o troféu finisher é original e bonito.
A organização dos Trilhos das Quelhas está de parabéns! Ganharam o desafio e proporcionaram um dia muito bem passado aos atletas e caminheiros que foram até Castanheira de Pera!


Boa Páscoa e boas corridas!



"Je" - Provas de Atletismo - Fotografias

Sam

The Team











The Dalton Brothers

Paulo Amaro com mais um troféu para a coleção