quinta-feira, 17 de maio de 2018

Corta-mato Nacional Ferroviário - Troféu João Saúde


Correu-se no passado dia 5 de Maio mais um Corta-mato ferroviário, desta vez no Entroncamento.
Esta prova é agora denominada como “Troféu João Saúde” homenageando o colega assim chamado que, devido a um acidente sofrido há uns anos durante um treino de bicicleta, teve de deixar a prática desportiva ( e quase a vida!).
O João Saúde, apesar de atleta amador, no sentido em que tinha uma profissão “normal” como ganha-pão, obtinha resultados excelentes na corrida, e ao que me recordo, era o melhor corredor dos ferroviários de Coimbra.
Recordo-me de algumas conversas do tempo em que éramos colegas no Depósito de Tracção de Coimbra-b, entre 1993 e 2002, altura em que para mim, todo o pessoal que corresse mais de 100 metros para apanhar o comboio era bastante louco!
Mais tarde, quando comecei a correr é que percebi bem o “calibre” de atleta que era o João Saúde. A foto seguinte tirei-lha na Meia Maratona da Figueira da Foz de 2013 quando fez 6º à Geral e 2º de escalão M40, com o tempo de 01h16m55!
Meia Maratona da Figueira da Foz 2013 - Pódio de V40-44

Voltando à prova do Corta-mato Ferroviário de 2018, teve lugar no Parque Verde do Bonito, um espaço muito agradável da cidade do Entroncamento, consistindo em 3 voltas ao parque, numa distância de 8 quilómetros.
A competição nestas corridas é dura, apesar de o objetivo principal  ser o encontro entre colegas e uma boa almoçarada no final!
A equipa do BTTRAIN - Clube Ferroviário de Coimbra obteve o 2º lugar na classificação por equipas.

Boas corridas!





quarta-feira, 14 de março de 2018

Trail de Conímbriga Terras de Sicó 2018



Há daquelas provas de que gostamos com naturalidade!
Não temos de aprender a gostar como de alguns sabores ou alguns vinhos!
Esta analogia por vinhos vem apenas porque me veio à lembrança uma conversa de um colega “bom entendedor de vinhos” que alegava que a diferença entre os vinhos do Douro e o do Alentejo é que destes últimos era fácil gostar mas que dos vinhos do Douro era preciso aprender a gostar!
Samuel(Foto: Jotapê)
Grande história! Acho que as primeiras impressões são as mais genuínas, o que é bom é bom e o que à primeira vista não presta, geralmente acaba por não ser grande coisa!
O Trail de Conímbriga Terras de Sicó, organizado pela Associação o Mundo da Corrida, trata-se de uma prova de corrida por trilhos e estradões, em que as coisas são bem planeadas, sem grandes invenções, sem aventuras do tipo “treino de comandos” ou “boot camp” como está muito na moda, com dureza sim quanto baste, alguns trilhos mais técnicos, mas que permite também desfrutar do contacto com a natureza ao longo de todo o percurso.
Paulo Amaro (Foto: Jotapê)

Esta foi a minha quarta participação nesta prova, tendo iniciado em 2013 com a prova de 25k e as restantes três na distância de 52k.
No ano passado tinha cometido alguns erros na gestão do ritmo, alimentação e hidratação, o que originara que a cerca de 38k de prova tivesse tido sérios problemas com cãibras. A parte final foi um horror, tendo-me deixado no entanto, alguns ensinamentos para o futuro.
Paulo Oliveira (Foto: Jotapê)
 Assim, fui em 2018 já mentalizado de que tinha de controlar o ritmo ao início, comer e beber alguma coisa ao fim de uma hora de prova mesmo que não apetecesse e, repetir esse ritual de meia em meia hora até final.
Outro cuidado que tive agora foi o de, ao longo de um mês antes da prova, fazer um suplemento de magnésio, algo que já vem sendo hábito na preparação das maratonas de estrada.
Todo este planeamento não chegou para chegar em primeiro lugar J mas, permitiu fazer os 52k (53k no meu GPS) sem problemas físicos e, acima de tudo, passar um dia extremamente agradável!
A equipa esteve representada por três atletas, o Samuel Oliveira, o Paulo Amaro e eu próprio, Paulo Oliveira.
L'Equipe, com o colega José Leal. Nas provas ferroviárias de atletismo somos todos da equipa BTTrain de Coimbra
A táctica foi a do costume, quem tiver pernas para tal corre mais depressa, vai à frente e geralmente, termina primeiro ☺
Este ano a distância de 52k teve uma novidade no percurso, deixando de ser uma prova circular (início e fim no mesmo local) sendo os atletas levados de autocarro para um ponto distante, sendo a prova efectuada desde esse ponto até à meta, em Condeixa-a-Nova.
Acho muito interessante este conceito de corridas em linha, havendo apenas como pontos negativos a viagem inicial de autocarro, bem como o tempo de antecipação necessário para esta logística.
Os "Irmãos Metralha"
Esta necessária antecipação horária conjugada com o ADN tuga provoca geralmente disparate, uma vez que não há grande tradição de cumprir horários neste jardim à beira mar plantado.
 De facto, verificou-se um atraso de cerca de meia hora à partida, apenas justificado por alguns espertinhos chegarem a Condeixa à última da hora, esquecendo-se que havia ainda que fazer cerca de 50 quilómetros de autocarro até ao local da partida.
Parte inicial da prova
A organização querendo talvez ser “uns gajos porreiros” decidiram beneficiar os “baldas de última hora” e castigar quem se preocupou em chegar a horas, cumprindo assim com o regulamento.
Resultado: um pelotão à espera durante meia hora, com um frio de fazer bater o dente, aguardando a chegada dos “baldas de última hora” quentinhos e confortáveis nos seus autocarros!
Bom, de qualquer modo lá se iniciou a corrida no lugar de Ramalhais de Cima, com umas condições atmosféricas excelente, sol e temperatura baixa, fazendo desde logo esquecer os contratempos iniciais.
Um dos estradões iniciais
Rolava-se bem, por caminhos largos e mais ou menos planos, até que, no terceiro quilómetro, apanhamos a primeira “parede”!
São cerca de mil metros a subir em single-track, com uma inclinação fortíssima.
Em boa verdade, acaba por ser a subida mais complicada de toda a prova!
No topo do primeiro monte (Foto: Jotapê)
Os caminhos vão-se sucedendo uns aos outros, sempre em ritmo rolante, um ou outro single-track, sem dificuldade de maior.
Passamos então numa zona peculiar chamada “Vale do Poio” ou, “Canhão do Poio”, zona com conhecida para a prática da Escalada onde cruzamos com vários praticantes da modalidade.

No Canhão de Vale de Poios (Foto: Jotapê)

Na maioria dos lugares onde passamos há um posto de abastecimento, cuja qualidade e variedade vai do mínimo indispensável até ao superlativo, com comida quente e tudo!
É uma das características desta prova, o envolvimento das populações ao longo do percurso, tornando assim um verdadeiro cartão-de-visita para a região da Serra de Sicó.
Paulo Amaro (Foto: Prozis)
A parte final da prova tem um dos trilhos menos benquistos pelos atletas, chamado Trilho da Cascata, isto devido à sua exigência técnica e pelo cansaço já instalado em todos os atletas.
Finalmente chegamos às ruínas de Conímbriga e dois quilómetros à frente está a meta em Codeixa-a-Nova.
Um "berdadeiro" adepto do trail saudando a passagem dos atletas
Uma referência aos atletas dos 111k, que a partir de um certo ponto partilham o mesmo percurso com os atletas dos 52k.
Estes “peregrinos” tinham iniciado a prova à meia-noite tendo já em cima uma valente dose quando começamos a passar por eles.
Quanto à classificação da “equipa” ficou assim distribuída, em 306 atletas chegados à meta:
Paulo Amaro – 88º lugar com o tempo de 06:55:16
Paulo Oliveira – 151º lugar com o tempo de 07:31:32
Samuel Oliveira – 152º lugar com o tempo de 07:34:27

O Samuel controlando o tempo na meta

E eu, a comemorar ter chegado inteiro ao fim 😃


E assim foi, um dia que passou a correr!



quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Treino de Carnaval do PelaEstradaFora


Combinado por telefone no Sábado à noite com os atletas de Anadia, Samuel e Paulo Amaro, marcou-se mais ou menos a meio-caminho de Leiria onde moro, um treino na Serra da Lousã com início junto à Fábrica de Papel do Prado, para uma subida ao Trevim.
Os três Moscãoteiros
Às 8h00 estávamos no local combinado e pouco depois entrávamos na floresta.
O Track seguido era a de um Louzan Trail  de há 3 ou 4 anos, quando este tinha cerca de 30 kms.
Logo no início vemo-nos confrontados com a necessidade de cruzar um riacho repetidamente devido a árvores caídas que impediam o trilho na margem.
Travessia de ribeira com os pés descalços

 Ainda nos descalçamos para não molhar as sapatilhas, mas após dois ou três operações de calçar/descalçar desistimos e começamos a meter os pés na água.
Foto tremida devido à pouca luz e habilidade do fotógrafo ☺
A hesitação era razoável; estávamos a iniciar um treino de meia dúzia de horas, subindo a cotas de 1.200m, onde as temperaturas caem significativamente. 
Castelo da Lousã (o castelo com localização mais estranha que conheço. Dá ideia que nunca terá servido para nada...)
Já passei alguns maus bocados naquela zona devido a pés molhados e baixas temperaturas (Abutres 2015)




Ao longo do treino damos com muitos trilhos com árvores caídas impedindo a sua passagem, muitos arrepios de caminho, os GPS's a não colaborar por causa do tempo enevoado e do arvoredo provocando assim alguns enganos no percurso que fizeram perder bastante tempo.


A passagem pelas aldeias é sempre motivo de deslumbramento, esperando-se a qualquer momento ver a presença de Hobbits.


Passamos pelas aldeias de, Cerdeira, Candal, Catarredor, Vaqueirinho, Talasnal e Casal Novo…
Não avistámos afinal Hobbits mas sim javalis, por duas vezes ☺

Boas corridas!















quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Egas Branco, maratonista, pioneiro das provas de montanha, trail e da ultra maratona


Egas Branco, maratonista, pioneiro das provas de montanha, trail e da ultra maratona em Portugal completa 80 anos de vida.
Personagem ligado à democratização do atletismo nacional, que, com a colaboração de alguns amigos deu o pontapé de partida para as primeiras corridas de montanha, precursoras das actuais provas de Trail.

Currículo:
FUTEBOL DE 11
Liceu D. João de Castro, campeonatos escolares, anos lectivos de 1954-55, 1955-56 e
1956-57, avançado, no lado esquerdo
FUTSAL
Instituto Superior Técnico (AEIST) - vários campeonatos internos de futsal (então
chamado futebol de salão) - foto da época 1960-61
TÉNIS
1º singular, na Taça Dr. Dr.Pieter Eento Barbas, 1963, organizada pelo GD. da Fábrica
Portuguesa de Fermentos Holandeses (FPFH)
2º singular, no Campeonato Interno da Associação de Estudantes do IST (AEIST), ano
lectivo 1963-64
1º na Escada de Ténis da AEIST, ano lectivo de 1963-64
2º singular, no Torneio de Abertura da FPFH, 1964
3º singular, no Campeonato Interno da AEIST, ano lectivo de 1964-65
1º singular, na Taça 35º Aniversário do GD da Fábrica Cimentos Tejo, em 14-Jun- 1970
CORRIDA
3 Maratonas ,sendo o melhor tempo conseguido na 3ª Maratona Spiridon, realizada
na Granja do Marquês, Sintra, em 8-Dez- 1985, em 3h30'30' (ver Revista Spiridon)
2ªs 12 Horas de VRSA, em 18-Abr- 1987, 60,575 km percorridos, 18º lugar (ver Revista
Spiridon)
Na Montanha, 1º lugar no escalão V4, no Desafio 1996, última prova na 4ª Corrida do

Monge, em 26-Out- 1996 (ver Revista Spiridon e Revista de Atletismo)

Outras histórias em:

http://alandroal.blogspot.pt/2017/12/memorias-de-um-desportista-por-egas_29.html
e,
http://alandroal.blogspot.pt/2018/01/memorias-de-um-desportista-por-egas.html

Parabéns!

sábado, 27 de janeiro de 2018

Cross Laminha


O Cross Laminha é uma das mais antigas corridas em trilhos do país.
O dinamizador da prova  tem sido o, também atleta,  Victor Ferreira, figura bem conhecida do trail nacional, que, com mais ou menos dificuldades tem vindo a conseguir  por de pé todos os anos este evento.
A edição de 2018 parece ter estado por um fio, tendo mesmo sido anunciado em 2017 o seu fim. 
Na companhia dos irmão Carlos e Armando Cruz, dois veteranos das corridas!       
A prova propriamente dita desenrola-se em trilhos numa zona com pouco desnível, com uma boa parte em bosques muito cerrados e trilhos estreitos, onde a ultrapassagem é virtualmente impossível.
A distância de 13,5 km transforma a prova num autêntico sprint para quem se consegue posicionar na frente ao início; todavia para quem tem uma partida mais lenta, logo fica encalhado no “maralhal de gente” sem hipótese de ultrapassar e assim fazer a corrida ao seu ritmo.
Início da prova, com uma partida simbólica; a partida real seria após um ou dois quilómetros
Todas as razões atrás apontadas não são problema para mim uma vez que encaro o Cross Laminha mais como uma festa do que uma competição (mesmo comigo próprio…). Como inicio sempre as corridas bastante lento, acabo por ficar numa zona do pelotão que não vai com muita pressa, e assim, mal transpiro a camisola ao longo da prova!
A edição de 2018 foi dedicada à colega atleta Maria Antonieta de Sá, recentemente desaparecida de forma trágica e repentina, ao que parece por problemas cardíacos súbitos e fulminantes.
Maria Antonieta de Sá, à direita, Corrida dos Moinhos de Penacova - 2016
A Maria Antonieta de Sá era uma das atletas mais conhecidas do trail nacional, estando nestas andanças desde os primórdios destas corridas.
Para todos os praticamos corrida, ou qualquer outro desporto, fica a clara noção que há um risco associado a estas práticas, e que apesar de as vantagens para a saúde serem muitas, também é fundamental fazer avaliações periódicas do estado do coração a fim de prevenir males maiores.  
Pessoalmente, tenho feito prova de esforço e ecocardiograma de dois em dois anos, a fim de despistar possíveis problemas de coração.
O coração dos corredores tende a ter um comportamento diferente do coração dos sedentários, podendo desenvolver adaptações ao esforço nem sempre benéficas.
Portanto malta, toca a ir periodicamente ao Sr. Dr. médico e fazer os exames que ele (ela) mandar, tá?

Boas corridas!